Vozes da floresta em conquista
Por Francisca Arara
Antes, as nossas vozes eram silenciadas, sempre alguém falava por nós, e hoje a gente vive um momento histórico de conquista. Avançamos na educação escolar indígena intercultural bilíngue, específica e diferenciada. Hoje somos nós mesmos ministrando as nossas aulas, sendo os pesquisadores, trabalhando as nossas línguas maternas, nossas línguas indígenas, nas nossas próprias escolas.
Hoje nós estamos conduzindo também a pasta da saúde indígena, nós temos agentes agroflorestais que também cuidam dessa parte, da pauta da gestão territorial e ambiental dos nossos territórios junto com as famílias. Os agentes indígenas de saneamento (Aisan), que estão ali cuidando do tratamento dos recursos hídricos.
Nós temos a representação indígena nos nove estados da Amazônia, que mantém o movimento indígena fortalecido, como a Organização dos Povos Indígenas da Amazônia.
Os povos indígenas trazem um marco histórico de conquista, de resistência, para que nós possamos manter os nossos direitos, preservar nossa cultura viva e ecoar nossas vozes. Por isso, esse mês representa para nós conquista.
A gente hoje ainda temos muitos desafios a cumprir, mas nós temos alcançado os nossos espaços e a gente luta para isso: que esse ano de 2027 nós venhamos ter os nossos parlamentares federais e estaduais nos estados, que só assim cada vez mais nós estaremos ganhando nossos espaços e levar nossas vozes para defender aquilo que nós tanto desejamos.
O nosso Brasil tem aberto as portas para essas vozes. O Acre hoje sai na frente de outros estados do país, com a indicação da primeira mulher indígena a ser titular de uma Secretaria de Estado de Povos Indígenas, porque isso na história ninguém nunca tinha visto. Mas nós estamos aqui fazendo a política pública de fato acontecer e chegar nas pontas.
E isso se deu através da formação de lideranças organizada pela Comissão Pro-Indígenas do Acre, que é uma parceira do Estado, pela formação da educação dos professores indígenas na educação.
Todo esse trabalho de luta e conquistas é feito por muitas mãos: sociedade civil, organizações indigenistas e governamentais, movimento indígena. Então, se junta todo mundo, e o Acre tem essa cultura do diálogo, da participação, da escuta, de ouvir os povos indígenas. Por isso que as nossas políticas têm dado certo.
Francisca Arara é Licenciada em Pedagogia e Ciência da Natureza pela Universidade Federal do Acre (UFAC), reconhecida nacional e internacionalmente por sua atuação em salvaguarda sódio ambiental, REDD+ e na defesa de direitos dos povos indígenas, território indígena e no combate às mudanças climáticas e Secretária de Estado de Povos Indígenas do Acre.
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